Relato

Relato de experiência
Retirado do site www.sni.org.br







O despertar que mudou a vida de toda a família

Pobreza, conflitos e sentimentos de inferioridade deixaram de existir quando os princípios da Seicho-No-Ie entraram em ação no destino de Bruno
Reverências, muito obrigado!
Falar de mim é falar da minha vida de cigano. Nasci em Marília, no interior de São Paulo. De lá fui morar em Cuiabá, Mato Grosso. Depois fui para Campo Grande, Mato Grosso do Sul. De lá fui para Fortaleza no Ceará. Depois vim morar aqui em São Paulo. De São Paulo fui morar em  Goiânia, Goiás. E agora faz um ano e quatro meses que estou morando novamente em São Paulo.
Quando falo que morei em todos esses lugares, a maioria das pessoas pensam: “Puxa! Ele deve ser rico pra caramba!”. Mas na verdade todas as vezes que mudei de uma cidade para outra foi devido a diversas dificuldades que eu e minha família passamos juntos.
Já antes de eu nascer... um grande dilema. Minha mãe ficou grávida quando ela tinha 17 anos de idade. Hoje, pela sociedade seria algo até que aceito, mas não em 1982, ainda mais sendo de família tradicional japonesa. Não bastasse isso, meu pai era alcoólatra e em vários momentos agredia a minha mãe verbal e fisicamente.  Minha mãe chegou a ouvir da família que o melhor a ser feito era o aborto ou, quando eu nascesse, fosse dado para uma família.
Minha mãe, não se importando com as circunstâncias, e sim com a vida, deu à luz no dia 16 de setembro de 1982 na cidade de Marília, em São Paulo.
Quando eu tinha pouco mais de um ano de idade, não aguentando mais as agressões que sofria, minha mãe “fugiu” de casa, sem avisar ninguém, nem a famí­lia, pegando o primeiro ônibus que passava na rodoviária.
Nessa outra cidade, em Cuiabá, minha mãe conheceu meu outro pai, o Juvenal. Com ele, ela teve mais três filhos: a Karine, o Thiago e a Pollyane. Eu fui um sorteado por Deus, pois, mesmo não sendo sangue de seu sangue, era a mim que esse “novo pai”, mesmo tendo outros filhos com a minha mãe, mais demonstrava carinho. Não porque ele me amava mais do que os outros filhos, mas porque ele sabia que eu era o filho que mais precisava ser amado!
Nós, durante muito tempo, passamos por dificuldades financeiras e materiais. Chegamos a morar de favor em seis pessoas num quarto. Tínhamos praticamente apenas a roupa do corpo para usar. As poucas roupas que tínhamos ficavam guardadas em sacolas plásticas. A pouca comida, que na maioria das vezes era só um arroz, ficava guardada em caixas de papelão, pois não tínhamos móveis. Chegamos a ter de dormir no chão, porque não tínhamos cama, muito menos colchão. À noite forrávamos um lençol no chão para poder dormir. Às vezes eu acordava com baratas passando por cima de mim. Essa situação me entristecia muito.
É por isso que mudávamos tanto de um lugar para o outro. Mudávamos para tentar uma vida melhor.
Essas mudanças todas e as dificuldades que passamos fizeram com que eu me tornasse um jovem muito tímido devido ao complexo de inferioridade que tinha. Eu era complexado por ser pobre, por me achar feio. Era tão tímido, tão tímido que chegava a ser antissocial. Eu tinha até vergonha de sair da sala de aula na hora do intervalo tamanha timidez.
A minha vida começou a mudar quando comecei a participar ativamente das reuniões da Associação dos Jovens da Seicho-No-Ie em Goiânia e dos Seminários de Treinamento Espiritual na Academia de Ibiúna, em São Paulo. Nas atividades em sempre ouvia: “Você nasceu para dar certo! Nasceu para ser feliz! Você é filho de Deus! Não importa o ambiente de adversidade, Deus sempre estará contigo! Você é a melhor criação de Deus! Você pode realizar todos os seus sonhos!”.
Todas as vezes que eu ouvia essas palavras me sentia grande. Sentia-me fortalecido! Porém, confesso que não era fácil voltar para casa com todo gás de um Seminário de Treinamento Espiritual para Jovens e ver que materialmente faltava de tudo em casa. Mas algo não faltava, que era a harmonia familiar e os ensinamentos da Seicho-No-Ie.
Em casa aprendemos duas lições: a primeira é que é justamente no ambiente de adversidade é que devemos colocar em prática os ensinamentos da Seicho-No-Ie. A segunda foi agradecer o pouco que tinha, pois como que você se sente merecedor de algo melhor se você é incapaz de agradecer o que você tem hoje. Foi um desafio e tanto pra gente, pois agradecer quando tudo está bom é muito fácil.               .
A minha mãe agradecia a tudo e a todos. Mesmo quando só tínhamos arroz para comer, ela agradecia. Ela fazia bolas de arroz com as mãos e falava: “Nossa, que arroz gostoso! Experimenta!”. Eu confesso que ficava com raiva, pois como que eu ia agradecer uma simples bola de arroz? Pensava que minha mãe vivia no “mundo Peter Pan”, no “mundo Poliana”, mal sabia eu que minha mãe contemplava nada mais, nada menos, que o Mundo da Imagem Verdadeira, onde já tínhamos tudo!
Aplicando os ensinamentos da Seicho-No-Ie, hoje minha família tem uma vida próspera, com casa mobiliada e carro na garagem. Mora em Goiânia, Goiás.
Através da Oração da Reconciliação, minha mãe se reconciliou com o meu pai biológico, e foi numa Convenção Nacional dos Jo­vens que eles se reencontraram depois de quase duas décadas e, hoje, conservam uma amizade. Sempre que posso vou visitá-lo, já que mora aqui em São Paulo também!
Quanto a mim, eu ouvia nas reuniões nos jovens “timidez não é atributo de Deus, portanto você, sendo filho de Deus, não há de ser tímido”. Essas palavras me encorajaram a vencer a minha timidez. Pouco a pouco comecei a ajudar nas atividades da AJSI. Porém, todas as vezes que subia no palco para fazer alguma atividade, como para fazer a leitura de uma oração ou dar algum aviso, as pessoas não entendiam direito o que eu falava, pois eu falava rápido, gaguejava e ainda tremia. Isso era devido a minha timidez e a minha insegurança.
Mas o mestre Masaharu Taniguchi me ensinou no O Livro dos Jovens que vence aquele que tem determinação e coragem. Não desisti. E aquilo que era o meu ponto fraco passou a ser o meu ponto forte.
Hoje sou Líder da Iluminação da Seicho-No-Ie e funcionário da Sede Central. Trabalho na Superintendência da Associação dos Jovens da SEICHO-NO-IE DO BRASIL. Me empenho para ajudar os jovens assim como fui ajudado!
Agradeço à Associação dos Jovens da SEICHO-NO-IE DO BRASIL por acreditar em mim!
Mãe, obrigado por não ter desistido de mim! Para mim você é uma guerreira! Se sou o que sou hoje é porque sempre tive você ao meu lado para me espelhar! Você é o meu porto seguro, minha fortaleza!
Jovens, finalizo com o trecho do poema “Deus fala comigo”, em que o mestre Masaharu Taniguchi nos escreveu: Desperte, conscientize-se da sua Imagem Verdadeira! Você é filho de Deus! A sua fé em Deus pode até vacilar, mas a fé de Deus em você jamais vacilará!




Bruno Chiba Faccini
Relato realizado na 55ª Convenção Nacional da AJSI/BR

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